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Análise animação “For the Birds”

 

Desde pequenos somos instruídos e incentivados a trabalhar em equipe. Como mostra o curta “For the birds”, da Pixar, há algumas situações em que além da individualidade outras formas de pensar surgem quando há o convívio em sociedade.

Na primeira cena, apesar de não haver falas, a satisfação é nítida ao encontrar um local que seja seguro, confortável, ao sol e, o mais importante, sem ninguém por perto. Concordo que em muitos momentos ficar sozinho é uma boa coisa. Precisamos algumas vezes de momentos em que temos somente a nós por perto. Porém, inevitavelmente, outras pessoas cruzarão nosso caminho. Seja na rua, tocando a campainha da sua casa oferecendo produtos de limpeza, seja no transporte, no trânsito, no trabalho ou até mesmo invadindo seu espaço em um fio condutor de energia, mesmo que sem o intuito de provocar uma briga por isso.

É evidente que, neste caso, a briga se deu início por um consenso comum: egoísmo. Eu sempre digo que em um conflito sempre existem três verdades. A de um, a do outro e o que realmente aconteceu. Quanto tempo perdemos resolvendo um conflito como esse? Se ao menos um apresentasse a habilidade social de pedir desculpa por invadir o espaço do outro ou reconhecesse que violou o direito do próximo, nenhum dos outros conflitos teriam ocorrido. O efeito cascata é algo muito recorrente em meios sociais e também é o esperado por muitos pontos de vista. Nesse mesmo exemplo, se um dos pássaros abrisse mão do orgulho próprio, os outros próximos não teriam se encostado, respeitariam o espaço uns dos outros e estariam vivendo harmoniosamente em sociedade.

Antes que esse problema apresentasse resolução (dificilmente uma que seja de comum acordo), outro pássaro (que pelo carisma da personagem gostaria de apelidar 7 de Garibaldo, devido também à personagem da Vila Sésamo) grande, desengonçado, porém ainda azul como os outros, apresenta-se ao bando.  Os outros pássaros tido como egoístas,  apresentam na sua identidade,  a intolerância, falta de flexibilidade cognitiva, egocentrismo e a predominância da cor azul. Esse bando junta-se em suas familiaridades para, de várias formas, destacar as diferenças do novo integrante, diminuindo e excluindo do grupo. Garibaldo, com sua inocência e inaptidão para interpretar a rejeição por parte do grupo, acaba incluindo-se de forma natural. Conversa (sem se importar com as respostas agressivas e negativas), interage e se sente parte do grupo, fazendo a sua parte dentro da sociedade harmoniosa que vive somente na sua percepção inocente e bondosa.

Sua diferença anatômica faz com que o fio dobre-se. Todos, contra vontade, se encostam de maneira mais invasiva do que nunca e nesse mesmo também entram em contato com o coitado do Garibaldo. A intolerância generalizada faz com que um plano maléfico seja traçado: expulsar Garibaldo do fio.

Como qualquer plano maléfico que prejudique alguém deliberadamente, este também possui consequências não tão boas. Agressões físicas e más intenções foram apresentadas de forma generalizada, sem pensar nas consequências. Conclusão: após expulsar Garibaldo, somente por ser diferente do bando, o fio tornou-se um estilingue e todos foram arremessados violentamente para cima, fazendo com que todos ficassem sem penas e passassem vergonha por estarem desnudos diante de outros pássaros, enquanto Garibaldo, em sua inocência, ri.

Como podemos fazer essa leitura em nosso cotidiano? Garibaldo representa toda e qualquer diversidade que existe em qualquer sociedade. Seja a diversidade racial, intelectual, física, estética, religiosa ou qualquer outra que destoe do grupo em que esteja inserido. O Garibaldo é aquele funcionário recém contratado, desajeitado, que pode ter habilidades focais extraordinárias e que pode ajudar a terminar rápido tarefas que demandem muito tempo e que sejam maçantes. Garibaldo é aquele aluno novo, cujo o futebol não é o seu forte, mas que possui habilidades cênicas fascinantes e entretêm o grupo de forma brilhante. Garibaldo é aquele vizinho estranho, que usa roupas diferentes, mas que, com seus livros escritos, ajuda crianças carentes em abrigos e instituições de caridade fazendo-as sonhar. Garibaldo pode ser você, que necessita de apoio e compreensão ao entrar em um grupo já consolidado, mas que possui muito a agregar e formar novas opiniões ou até mesmo mudar a vida de muita gente.

Confira o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=WjoDEQqyTig

Análise: Renato Gallo, psicólogo e pós graduando em Neuropsicologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

 

 

 

 

 

 

 

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